Recomeçar

Recomeçar é difícil.

Para mim é.

Seja a escrita destes registros ou algum hábito diário que estou tentando consolidar, se eu interrompo o processo, nem que seja por um dia, retomá-lo parece uma tarefa hercúlea.

Acho que não é à toa que muitos escritores profissionais recomendam uma produção diária, ainda que só um pouco, para que preservemos o fluxo que nos leva adiante e adquiramos confiança na nossa capacidade de ater-nos ao que nos comprometemos a fazer.

Se recomeçar é difícil, entretanto, continuar também não é exatamente mamão com açúcar, e a perspectiva de pular “só um diazinho” é muito tentadora.

De repente, lá se vão seis meses.

E quanto mais o tempo passa, não apenas se torna mais difícil o recomeço, como também mais me parece que esse recomeço precisa ser estrondoso, espetacular, como o início de uma nova temporada de uma série longamente aguardada. Um retorno triunfal.

Mas eu me conheço e sei que esse é o meu perfeccionismo medroso falando.

E mesmo assim, sucumbo a ele.

Tela de um aplicativo que uso para monitorar hábitos. Todos os dias deveriam estar em verde.

Acho que, não fosse a enorme e admirável dedicação de meu si hing Guilherme de Farias aos registros nestes últimos tempos, eu teria demorado mais a recomeçar.

Isso evidencia, a meu ver, o poder que as ações dos membros da Família Kung Fu podem ter sobre os outros, sejam positivas ou negativas.

Lembro-me de quando vários Membros Vitalícios começaram a escrever seus registros e a compartilhá-los em nosso grupo de WhatsApp, de quão estimulante era para minha própria escrita, quão prazeroso era ler cada um deles. Aos poucos os registros foram rareando, até virarem, no sentido mais literal, memórias.

Si Fu contou, em seu último Colóquio antes de sua viagem com Si Mo para os Estados Unidos, sobre o dia do funeral de Patriarca Moy Yat. Muitos discípulos de Si Taai Gung estavam ali reunidos, vindos de diversas partes do mundo, e era justamente esse o maior desejo de Si Taai Gung: que sua família permanecesse unida.

Ele não deixou todo o seu kung fu com apenas um discípulo, mas um pouco com cada um deles, por isso a importância que ele dava a essa união.

Si Fu em um Colóquio. 14/1/2020.

Penso que, em uma nova fase como a que nossa família está prestes a adentrar, sem Si Fu e Si Mo por perto, urge que lancemos mão de todos os expedientes possíveis para que permaneçamos unidos, fortes e beneficiando-nos uns aos outros.

Certamente, como Si Fu tem frisado, vislumbrando um futuro que poucos de nós conseguimos, os registros têm um papel significativo nisso.

Um feliz ano novo do Rato de Metal a todos.

Sigamos juntos!

2 comentários em “Recomeçar

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