Plantas

Depois de certos eventos, sejam relacionados ao Ving Tsun ou não, tenho a tendência de achar que finalizei meus afazeres por um bom tempo e poderei tirar férias de qualquer compromisso minimamente estressante dessa natureza.

“Depois do aniversário do Si Fu, vou poder descansar.”

“Depois da visita do Si Gung, vou poder descansar.”

“Depois do meu Baai Si, vou poder descansar.”

“Depois de escrever sobre o Baai Si, vou poder descansar.”

É uma busca constante e inócua pelo sentimento de poder dizer: “Pronto. Zerei a vida.” (Outra expressão dos jovens interneteiros, aliás.)

Isso é um problema, porque atribui qualquer sentimento de realização somente ao “ter feito” e nunca ao “fazer”. E todo o tempo enquanto não se alcança o “ter feito”, o “fazer” é repleto de ansiedade, distrações, vontade de desistir.

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Quando me tornei discípulo, parte 3

Mal me lembro dos detalhes daquele dia antes da cerimônia.

Acho que almocei uns pastéis.

Também fiquei na dúvida entre duas gravatas para usar com o terno.

De tão ansioso, não conseguia me concentrar em nada, só ver a hora passar até o momento de começar a me arrumar.

Ainda estava de toalha quando recebi uma mensagem do meu si hing André Guerra me perguntando a que horas eu chegaria. (Um si hing é um irmão kung fu mais velho, que está há mais tempo na família que você.)

Se a cerimônia era às 18h, achei que chegar uma meia hora antes estava de bom tamanho, mas ele sugeriu que eu chegasse às 17h. Certamente eu não conseguiria, mas como diz uma frase atribuída a Bruce Lee, “Um objetivo nem sempre é para ser alcançado; muitas vezes serve simplesmente como algo a visar”.

Se eu visasse as 17h, talvez chegasse no máximo até as 17h20.

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Quando me tornei discípulo, parte 2

Se o Baai Si é seu, você também é responsável por convidar as pessoas que você gostaria que estivessem presentes na sua cerimônia. De uma forma ou de outra, ainda mais com as maravilhas da tecnologia moderna, seus irmãos kung fu mais ativos no mo gun acabam por ficar sabendo do evento e muitos até decidem comparecer, mas a questão aqui é outra: conexão.

O Baai Si, bem como diversos outros momentos da vida de um praticante de Ving Tsun, é também uma oportunidade para trabalhar a conexão com o outro, desde membros com quem você já tem uma relação íntima até os completos desconhecidos, sem mencionar amigos fora do círculo marcial e membros da sua própria família de criação.

Como você aborda essa pessoa? Qual é a sua estratégia? Não se trata de manipulação, mas de verdadeiramente entrar em sintonia com as necessidades e os desejos dela. Alguém que anda afastado das práticas pode achar uma mensagem de texto algo muito impessoal, mas, quem sabe, uma ligação pode fazê-la sentir-se mais próxima da Família novamente.

kung fu envolvido em cada decisão.

Não bastasse o meu já alto nervosismo diante da missão de entrar em contato com tanta gente desconhecida, Si Fu, em uma bela manhã de sábado, quando nos reunimos com vários membros da Família para falar sobre o Baai Si, precisamente uma semana antes da cerimônia, apresenta-nos a Carmen e a mim a ideia de entregarmos convites formais aos líderes de outras famílias daqui do Rio de Janeiro. Líderes que eu só conhecia de vista ou de nome até então.

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Quando me tornei discípulo, parte 1

Muito prazer! Meu nome é Rafael Pombo, e sou praticante de uma arte marcial chamada Ving Tsun.

A bem da verdade, talvez esta introdução seja desnecessária, pois um dos intuitos deste novo blog é que outros praticantes, sobretudo aqueles que já me conhecem, possam acompanhar minha perspectiva dentro do universo do Ving Tsun. Ao mesmo tempo, também tenho como objetivo compartilhar com pessoas fora do círculo marcial as minhas experiências para que, quem sabe, os ensinamentos e benefícios desta arte tão fascinante possam alcançar, tocar e até atrair novos praticantes.

Sendo assim, para não entediar conhecedores nem confundir novatos, vamos começar não do começo, mas in medias res, como dizemos no mundo da literatura de ficção, e permitir que as informações necessárias apareçam naturalmente no decorrer dos textos, sem uma ordem predefinida.

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